novembro 25, 2005

Requisitos para trabalhar em Bar (e não só)

Um dia disseram-me: trabalhas num bar, deves ter montes de situações engraçadas para contar.

O pior é a amnésia. Aquela que nos atinge no final de uma noite em que temos a cabeça em água. Porque é as pessoas no restaurante, é as pessoas no bar, e chega-se ao dia de folga dum sítio e do outro, e o que temos menos vontade é de nos relembrarmos das pessoas ou, mesmo, de ver pessoas.
Sem ofensa.

É complicado estes trabalhos em hotelaria.

Somos
- psicólogos, psiquiatras, conselheiros matrimoniais, ombros para chorar;
- palhaços e actores (convém sacar uma risada ou um sorriso dos clientes, por mais que custe, para quebrar o gelo);
- agentes anti-motim;
- gigolos/gueishas;
- vendedores;
- monges dotados de uma paciência infinita;
- empregados de limpeza (sim, quem pensam que limpa os cinzeiros no balcão? Os copos derramados?);
- dançarinos e malabaristas;
- surdos, ou os melhores ouvintes que encontras na noite;
- resistentes, para trabalhar muitas horas sem stressar e explodir;
- relações públicas

Aturamos bêbados, conversas sem nexo, perguntas descabidas, respostas inapropriadas, esquisitices. Heterossexuais, homossexuais, transsexuais, metrossexuais. Miúdos, graúdos, indefinidos (o espírito define a idade de cada um).

Rimos muito, chateamo-nos. Mas, felizmente, as gargalhadas e os novos conhecimentos compensam tudo o que de mau há neste mundo complicado que é a … tará! Hotelaria!

[Imagem de Robert Berman]

Publicado por omelete em 09:09 PM | Comentários (0)

novembro 03, 2005

Trabalho

Tenho a sensação de que o trabalho corre melhor no Restaurante quando o nosso "boss" desaparece para Espanha ou vai à caça de perdizes e coelhos...

Será que também sofre de stress? Se não sofre, stressa os empregados, até parece que não somos pessoas, ofende práqui e práli, pensa que somos cegos e burros, e que temos de fazer tudo a cem à hora. Uma pessoa só tem duas mãos e duas pernas, por isso gostaria que ele tivesse mais CALMA.

Aliás, direito nenhum tem de ofender os empregados, mau hábito de quem tem os dois empregados fixos há sete anos, que já lhe conhecem os atrofios e as manhas..

É por estas e por outras que dizem que a Hotelaria é dos ramos mais stressantes que há. Não me venham falar dos professores que aturam putos. Pior é ter um patrão que às vezes se comporta como um miúdo a quem não lhe apetecia ir à escola e é obrigado.

Publicado por omelete em 05:57 PM | Comentários (0)

novembro 02, 2005

Vida de Trabalho na Cidade

People in a show,
All lined in a row.
We just push on by,
Its funny,
How hard we try.

Take a moment to relax.
Before you do anything rash.

Don’t you wanna know me?,
Be a friend of mine.
I’ll share some wisdom with you.
Don’t you ever get lonely,
From time to time
Don’t let the system get you down
Soon our work is done,
All of us one by one.
Still we live our lives,
As if all this stuff survives.

I find myself in Big City prison, arisen from the vision of man kind.
Designed, to keep me discreetly neatly in the corner,
You’ll find me with the flora and the fauna and the hardship.
Back a yard is where my heart is still I find it hard to depart this Big City Life.

Mattafix - "Big City Life"

Publicado por omelete em 06:45 PM | Comentários (0)

Noite LIVRE!! WEEE!!

Ai que bom! Hoje tenho a noite de folga! Para quem está de pé desde as 9 da manhã, só com umas quatro horas de sono em cima, saber que hoje não abríamos o bar soube-me que nem sopas!

Ainda não me decidi se fico hoje por casa, dentro de uma banheira cheia de espuma, ou se aproveito para ver quais são as "ondas" que andam pela cidade de Faro a uma quarta-feira à noite. Já não me lembro quando é que tive uma saída num dia normal de sair à noite, pois estou sempre no Bar... IUPII!!!

(peço perdão à malta que ia hoje ao bar aproveitar a promoção de quarta-feira, que é imperial a um euro e cerveja de garrafa a um euro e meio..)

Publicado por omelete em 05:24 PM | Comentários (0)

Bebedeiras Kontagiosas

Depois de umas horas a aturar bêbados, fica-se por vezes com a sensação de que nós próprios estamos a ficar um pouco alegres ou doidos demais, mesmo sem termos bebido uma pinga de alcóol... Será isto o que chamam fazer parte de uma comunidade? Integrarmo-nos no meio?

E esta merda das saudades que tenho de ti aperta-me aqui, aqui dentro, e tu nunca apareces, nem dizes nada.. Porque é que tens tempo para tomares um café com os teus amigos, um jantar aqui e ali, e não percebes que sinto, não raiva, mas pena (penas têem as galinhas... certo) que nunca te lembres de dar um toque para jantar ou café, ou beber um copo... Foda-se. É o que dá gostar de quem não gosta assim tanto de nós..

O que odeio no Inverno é estes ataques de melancolia.

Publicado por omelete em 05:02 AM | Comentários (1)

outubro 30, 2005

Disfarces para o Halloween

Eu e a minha colega no Bar ainda temos que nos decidir sobre o que vamos vestir no Halloween.

Não pode ser nada que atrapalhe o trabalho, por isso mascaramo-nos de bruxas não convém (normalmente usam vestidos compridos, um chapéu bicudo e uma cabeleira de cores extravagantes).

Tivemos a brilhante ideia de ir de “Women in Black”, porque o nosso patrão observou que hoje fomos as duas vestidas de preto. A nossa cor favorita e, na minha (humilde) opinião, uma das melhores para se trabalhar num sítio destes. Qualquer nódoa que caia – exceptuando de algumas bebidas usadas em shots, como batida de côco e advocaat – não se nota, seja de imperial, whisky (embora ninguém ande a atirar whisky uns aos outros, há sempre aqueles clientes levemente “bronzeados” que deixam cair o copo para dentro do balcão, salpicando-nos), etc... O problema de irmos de “Women in Black” é simples: os fatos Armani custam caro e trabalhar de óculos escuros num ambiente já de si pouco iluminado pode ser um risco ao equilíbrio e não queremos andar aos encontrões nas mesas e nas pessoas.

Temos que nos desenrascar de outra forma e inventar outro disfarce... É pior que o Carnaval.

Publicado por omelete em 06:20 AM | Comentários (0)