O Algarve Shopping fecha às onze da noite (para quem não vai ao cinema).
Há qualquer coisa de sinistro na voz que anuncia o fecho ("Estimados clientes, informamos que o Algarve Shopping irá encerrar dentro de 10 minutos") que me lembra aquela típica frase "Esta mensagem irá auto-destruir-se dentro de 5 segundos" da série "Missão Impossível".
"Estimados Clientes, informamos que o Algarve Shopping irá encerrar dentro de 5 minutos. Se não estiver no cinema, se está a jantar, a tomar café, a fazer xixi, ou a comprar as prendas para o Halloween (!) o seu carro irá explodir dentro de 6 minutos."
Fantasia. Pelo menos, por enquanto.
Ela, ao telefone: "Nunca tens tempo para telefonar, há tanto tempo que não te vejo, e moras mesmo aqui ao lado!!"
Filho: ....
Ela: "Está bem, até logo, mas não te esqueças que a mãe existe!"
E depois desabafa à senhora da caixa: "Isto hoje já não se fazem filhos como antigamente!"
Pois não. Antigamente, a malta que "curtia" a vida era mal vista e eram obrigados a casar com a primeira gaja que engravidavam. Antigamente, os filhos de mães solteiras e "pai desconhecido" eram mal tratados na escola.
Antigamente, os almoços de Domingo eram obrigatoriamente passados em casa dos pais ou dos avós (lá se iam as ressacas dos sábados à noite).
Antigamente, os filhos não tinham o direito de ter ideias e vidas próprias.
Tudo no antigamente.
Eu e a minha colega no Bar ainda temos que nos decidir sobre o que vamos vestir no Halloween.
Não pode ser nada que atrapalhe o trabalho, por isso mascaramo-nos de bruxas não convém (normalmente usam vestidos compridos, um chapéu bicudo e uma cabeleira de cores extravagantes).
Tivemos a brilhante ideia de ir de “Women in Black”, porque o nosso patrão observou que hoje fomos as duas vestidas de preto. A nossa cor favorita e, na minha (humilde) opinião, uma das melhores para se trabalhar num sítio destes. Qualquer nódoa que caia – exceptuando de algumas bebidas usadas em shots, como batida de côco e advocaat – não se nota, seja de imperial, whisky (embora ninguém ande a atirar whisky uns aos outros, há sempre aqueles clientes levemente “bronzeados” que deixam cair o copo para dentro do balcão, salpicando-nos), etc... O problema de irmos de “Women in Black” é simples: os fatos Armani custam caro e trabalhar de óculos escuros num ambiente já de si pouco iluminado pode ser um risco ao equilíbrio e não queremos andar aos encontrões nas mesas e nas pessoas.
Temos que nos desenrascar de outra forma e inventar outro disfarce... É pior que o Carnaval.
Gosto de ver os jogos do meu clube. Mas o salmão grelhado que jantei no "Sol e Jardim" ter-me-ia caído melhor se o meu F.C.Porto não tivesse empatado com o (falido) Vitória de Setúbal. Nem um golo para amostra. Nada.. Por este andar, continua a liderança para o Sporting de Braga.
P.S. Mas tenho o prazer especial de ter visto o Benfica também a empatar com o Naval.. ehehhe
Não esquecer!!
Na madrugada deste domingo, às 2 da manhã, atrasem os relógios de parede, os relógios de pulso, o relógio do telemóvel, o relógio da cozinha, da sala, do despertador (é uma vida cheia de relógios por tudo o que é lado...), uma hora.
Ou seja, às 2 da manhã, volta a ser uma da manhã.
Felizmente que no Bar só vamos atrasar a hora depois de fecharmos às quatro da manhã, senão era mais uma hora de work.
Para curar a sua paixão, beba Pinga com Limão.
Para curar a sua amargura, beba Pinga sem Mistura.
Contra a Dor de Cotovelo, beba Pinga com gelo.
Contra a Falta de Carinho, Cachaça, Cerveja e Vinho.
Problemas com a namorada, beba Pinga misturada.
Problemas com a mulher, beba Pinga na colher.
Quem dá Amor e não recebe, mistura todas a Pingas e bebe.
E se alguém te faz sofrer, beba Pinga para esquecer.
Para curar o seu sofrimento, beba Pinga com fermento.
Para esquecer um falso amor, beba Pinga com licor.
Para acalmar o seu coração, beba até cair no chão.
Se a vida não tem graça, encha a cara de cachaça.
Para ganhar a lotaria, beba Pinga na bacia.
Para viver sempre feliz, beba Pinga com raíz.
E se você não tem sorte, beba Pinga até à Morte.
SE ESSA VIDA DE CÃO SÓ TE FAZ SOFRER...
O REMÉDIO É BEBER.
[Recebido por e-mail]
Não acato responsabilidades por bebedeiras nem ressacas, muito menos por comas alcoólicos..
“O casamento é uma Instituição.”
Perdão. Uma instituição Corrupta.
Um grupo de quatro clientes no Bar, que vieram parar ao Algarve por uns dias devido a uma convenção qualquer num hotel qualquer em Vilamoura. Todos de aliança no dedo. Mas o objecto é o menos, no espírito seriam casados à mesma. Comprometidos. Qualquer coisa.
Mas de uma coisa me convenço, o ANIMAL humano (somos todos uma cambada de animais, por muito que nos custe a admitir) não é, por natureza, monógamo. Cede a tentações. Distribui o seu número de telefone a estranhos e estranhas. Deixa bilhetes no balcão do bar, para mim e para a minha colega. Engatam. Ou pensam que engatam. Às vezes conseguem.
Não entendo. Casam-se pela aparência? Estabilidade? Não seria melhor termos uma sociedade livre dessas papeladas, compromissos, e fazermos o que nos fizesse mais feliz? Brincar às escondidas é na primária.
O que acho destes homens casados/comprometidos/juntos (e mulheres também) é que se mantêm muitas vezes pela comodidade. Como sentarmo-nos num sofá novo. Ao princípio é desconfortável. Tem os seus defeitos. Depois, vai-nos apanhando a forma. Nós apanhamos o jeito também. Sabemos que além tem uma mola solta, que tem uma curva nas costas que não é muito agradável. Conformamo-nos. Não mudamos de sofá.
Tanta infelicidade escondida que vai por aí… Começo a chegar à conclusão que ser solteira/o é a melhor opção que uma pessoa tem.
A chuva deve despertar as pessoas que não saem de casa nos dias de bom tempo. Ontem choveu bastante, imenso, houve inundações em Setúbal, mas Faro até se safou. Só tivemos chuva, chuva, vento, uma parafernália de chapéus-de-chuva partidos e espalhados pelas ruas, grandes, pequenos, às bolinhas, às riscas, com publicidade e sem ela.
Aparece um louco no Restaurante, acompanhado por uma mulher que, se não era muda, bem o parecia. Tinha uma das pernas das calças estava arregaçada até ao joelho, a camisa completamente descaída, barba por fazer, sapatos desatados. Mas, o pior, foi quando abriu a boca. Falava português, depois decidiu falar em francês. Sabemos que é um cliente que não é cliente, ou seja, daquelas pessoas que não convém servir a menos que queiramos ter prejuízo. Mesmo assim, serviu-se dois vinhos do Porto. Do caro. Mas, perante a recusa de lhe servirmos o tal quilo de ostras (nem tínhamos um quilo de ostras disponível, talvez meio quilo), desatou num berreiro. Que tinha andado na legião francesa, que éramos uma merda, que não pagava os vinhos do Porto, etcetera. A companheira, qual boneca, impassível, não abria a boca. Teria medo de dizer asneira e levar na cabeça ?
No Bar, um chinês. Tem um andar desengonçado, parece que as pernas não se encaixam bem, ar de Jet Li reformado. Esforça-se por falar português, no entanto, não se esforça por nos entender. A avaliar pelas expressões da sua cara, fiquei com a ideia de que, da pouca conversação que houve, deve haver muitas palavras em português que são ofensas em chinês.
É bom ter uma colega nova que só aguentou duas horas no bar. Super-nervosa, quase a chorar, a bater os copos em frente ao “marido”. As coisas não devem ir bem entre eles.. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.
E estou farta de dizer às pessoas que passear de saltos altos é uma coisa. Trabalhar “pendurada” em cima de 7 cm de tacão, é outra completamente diferente. Vão-se os pés, as pernas, vêem as dores de costas e o “não me aguento com os pés!”.
Ao ver as corridas de fórmula um na Sport TV, lembrei-me que deve ser um perigo enorme se os gajos espirram enquanto estão a conduzir. Espirrar é um acto violento. Fecha-se os olhos, tem-se uma convulsãozita, e, quando o carro está a andar a 300 km/ hora, pode-se provocar um acidente só por causa de um simples espirro.
Será que não apanham gripes? Constipações ? Sinusites ?
Anos 60.
És um puto. Queres experimentar coisas novas. Mas ainda não existem nem Playstations, nem computadores, nem lojas da Levi's, nem centros comerciais do tamanho da tua vila.
A rebeldia era roubar um livro do São Cipriano (dizem que o gajo era bruxo) e experimentar as fórmulas dele.
As vizinhas velhotas ajudam. Em conversas, diz-se que, numa noite de lua cheia, num cruzamento, se uma pessoa uivar à lua como se fosse um lobo (neste tempo os psiquiatras ainda não estavam na moda), se transformava num.
Cheio de coragem, resolves fazer a experiência. Num sítio que hoje é ocupado por um Fórum Algarve. Olhas em redor, não vês ninguém. Estás no meio do cruzamento. Está Lua Cheia. Os deuses estão a teu favor.
Uivas e ladras. Durante algum tempo. Pelo canto do olho vês uma sombra a aproximar-se. Meu Deus!! Um pastor-alemão (à noite parece um lobo) com três pernas!!
Assustas-te, desatas a correr e só páras quando chegas a casa dos teus pais.
No dia seguinte, ficas a saber que o "lobo" não é um lobo ameaçador. Mas sim um pobre cão a quem teve de se amputar a perna por uma ferida que não curou.
[história contada por um cliente do Bar]
P.S. Antes do Dia das Bruxas os clientes normais parece que ficam um pouco obcecados pela Michelle Pfeiffer no filme "Lobo". Pelas amantes imberbes do Conde Drácula. Pelos lobisomens e zombies... Lua Cheia ?
"Quando eu te encontrar, vou-te possuir
Quando eu te encontrar...
Vou te levar para cama
Sem pedir licença
Tocar-te todo o corpo
E, sadicamente, possuir-te-ei !
Vou-te deixar com uma enorme
Sensação de cansaço.
Lentamente...
Vou te fazer sentir arrepios,
Fazer-te suar
Profundamente!
Irás gemer,
Deixar-te-ei ofegante,
Tirar-te-ei o ar,
A tua cabeça irá girar.
Da cama não conseguirás sair !
E quando eu terminar,
Irei
embora sem me despedir
Com a certeza de que voltarei !
Assinado:
A Gripe."
Se anda com desejos de decapitar ou desmembrar alguém, não deixe para amanhã o que pode fazer hoje!! Aproveite a promoção do Jumbo!! Uma fantástica electroserra da marca Kinso, por APENAS €49,90!! Só hoje e sexta feira, dia 14 de Outubro!
Quer-se respeito, respeito a falar, respeito a ouvir. Não és só tu que existes, não tens que atrair a atenção das pessoas. A tua vida é tão insignificante assim que tenhas que publicá-la e monopolizar as conversas ?
O resto do mundo também tem histórias, factos, anedotas, acontecimentos, desastres, desabafos, explicações. Não olhes só para ti, meu caro, já é tempo de abrires os olhos e veres a razão que te rodeia, as justificações que te dizem. É tempo de abrires a tua mente a novos projectos e novas ideias. Não te feches nessa concha. Envelheces mais rápido, e irás tornar-te um daqueles velhos que no centro de terceira idade irão apodrecer rápidamente, sem terem visitas dos familiares e amigos que ignoraram e repudiaram com a arrogância de "quem-sabe-tudo-sou-eu".
Não irás ficar sozinho. Já estás sozinho.
Nothing that you say will release you
Nothing that you pray would forgive you
Nothing's what your words mean to me
Something that you did will destroy me
Something that you said will stay with me
Long after you're dead and gone
If flesh could crawl
My skin would fall
From off my bones
And run away from here
As far from God
As heaven is wide
As far from God
As angels can fly
If holy is as holy does
This house will burn straight down to hell
Take it's conscience with it
As it falls
Nothing said could change the fact
My trust was blind
You broke the pact
If God's my witness, God must be blind
If flesh could crawl
My skin would fall
From off my bones
And run away from here
As far from God
As heaven is wide
As far from God
As angels can fly
I wish, I wish
I wish, I wish
Take it back I dare you take it back
No you can't? You should have thought of that
What's inside a man
That goes so wrong
Choke on guilt that's far too good for you
Say one word I'll laugh and bury you
And leave you in the place
Where you left me
If flesh could crawl
My skin would fall
From off my bones
And run away from here
As far from God
As heaven is wide
As far from God
As angels can fly
I wish I could fly
As angels can fly
I wish, I wish.
Garbage - "As Heaven is Wide" (álbum "Garbage", de 1995)
Ouço os Dire Straits, aquela banda que tu gostavas de ouvir, a única banda que te conseguia fazer emocionar com a música “Brothers in Arms”, das poucas coisas que conheci em ti que te faziam chorar de dor.
Ouço-a na companhia da minha namorada actual.
Ela à minha frente, que mulher tão artificial, mas um homem da minha idade não pode querer mais do que isto, uma gaja que pinta o cabelo para se esconder da velhice, que põe três camadas de base antes de sair de casa. Que tem mãos perfeitas que nunca lavaram um prato, “Para isso serve a máquina de lavar loiça.”, perfeitas demais para acariciarem o corpo áspero de um homem “Não estou para partir as unhas”.
Tenho saudades tuas, mas não te quero dizer isto, recuso-me a admitir as minhas saudades da tua revolta permanente, contra unhas compridas, pintadas, que te impediam de fazer coisas em casa e até de te defenderes. Explicaste-me uma vez que unhas grandes podem ser um impedimento para pregar um soco. Cientificamente, magoas-te mais do que à outra pessoa, porque as cravas nas palmas das tuas próprias mãos. Mantinha-as curtas, não roídas, apenas curtas, “mais cómodo”.
Em cinco segundos, vejo o teu fantasma a passar na rua. Olhas para mim, como se não estivesses a ver-me, continuas a andar, e, naquele lapso de tempo, a tua íris reflecte-me e só espera que esteja bem acompanhado.
Nesses cinco segundos vês as costas da “outra”, o seu cabelo com madeixas perfeitas, as suas mãos, a gesticularem na minha direcção. Em cinco segundos, fixo-te de boca aberta, o que passa despercebido à minha companheira, demasiado concentrada na sua história para perceber o que são estes cinco segundos.
Findo esse tempo, desapareces atrás do pano que a parede de madeira do bar forma, entre a rua e o interior. Pergunto-me se serias real. Se serias uma assombração. Não me respondes ?
É possível que, depois de tanto tempo passado, ainda me lembre da localização de cada sinal no teu corpo, como um mapa onde estão marcados os distritos, as cidades, as aldeias, as vilas, os rios e as ribeiras?
Percorro cada distrito do teu corpo na minha imaginação. Divido-o. Fixo a tua maçã de Adão, o vale que se queda no fundo da tua garganta, onde gosto de te beijar. Passo pelo corredor entre as tuas costelas, com a ponta dos meus dedos. Vejo a tua testa alta, os teus olhos castanhos, os teus lábios bem desenhados, a tua boca, os teus dentes, cada curva na tua cara, estás bem conservado para a idade que tens. Não há presença evidente de rugas. Quem te veja até pensa que tens tido uma boa vida. Rapas o cabelo, mas não dá para disfarçar os poucos brancos que tens, uma penugem branca que sobressai. E quando dormes a meu lado, fixo-te, tiro-te fotografias com a minha memória e espero conseguir captar o máximo, mas o máximo é o infinito, não te consigo captar todo, captar-te todo era estares aqui. És o meu “muso”.
Sentir os teus dedos longos, um a um, mordiscar-te as orelhas, percorrer a tua coluna, fixar-te nos meus olhos e nos meus dedos. Será a isto que chamam memória digital?
Inebriar-me com o teu perfume, o teu perfume próprio, não o da Armani, não o de suor, apenas aquele cheiro que todo o corpo humano exala naturalmente, que apenas as máquinas não possuem. Será o odor da nossa alma ?
E gostava que soubesses que a vida espera que a agarres. Entretanto, ela corre depressa, ultrapassas e quebras as barreiras, até ultrapassares a meta. E só espero que, quando chegares a essa meta, olhes para trás e vejas as barreiras que partiste em mil pedaços apenas para chegares a um sítio que se calhar não te leva a lado nenhum. Que tenhas uma vida boa, recheada de boas coisas. Que possas ter algo que não se compra, não se adquire, não se dá, nem se vende, apenas se conquista.
Não há música ao vivo em Faro. Só no Chessenta, de quinta a sábado. No restaurante do fado, à sexta-feira. Faz falta. Não só música portuguesa ao vivo, mas também música inglesa. Francesa. Diferente.
De vez em quando vou a Vilamoura, Albufeira e Quarteira. O contraste nocturno entre a denominada “capital” do Algarve e essas localidades é estrondosa. As ruas fervilham de vida. As lojas fecham mais tarde para aproveitar o que puderem dos turistas e dos residentes (estrangeiros e portugueses).
Nos bares, pubs e discotecas faz-se tudo por animar as pessoas.
Há música ao vivo, grupos que fazem covers de grupos como Deep Purple, Queen, Eagles, Robbie Williams, Coldplay e até de Metallica. Deixa-se os mais intrépidos pegar no microfone, desafinar no karaoke e divertir os espectadores com o seu esforço e, às vezes, supreender pela qualidade de voz.
Há vida.
Volta-se a Faro, e regressa-se a um deserto. As mesmas bandas sonoras, as mesmas pessoas, a mesma mortandade. O vazio é sufocante. Uma rua vazia de pessoas e de vida é assustador e deprimente. Não sei se já tiveram aqueles sonhos em quem andam e andam numa cidade que está cheia de prédios mas que não tem vivalma. É igual a sensação. A cidade não dorme. A cidade está morta. É essa a diferença, nestes dias de domingo e segunda feira. Aborreço-me com isto.
I became a member of what in those days was kind of a free masonry.
A free masonry of cinephiles...
I was one of the insatiables...
the ones you'd always find sitting closest to the screen.
Why do we sit so close?
Maybe it was because we wanted to receive the images first...
when they were still new, still fresh...
before they cleared the hurdles of the rows behind us...
before they'd been relayed back
from row to row, spectator to spectator...
until worn-out, secondhand, the size of a postage stamp...
it returned to the projectionist's cabin.

In "The Dreamers" (2003), de Bernardo Bertolucci
Gosto sempre de ficar nas primeiras filas do cinema. Estar dentro do filme. Sentir o som, as imagens em primeira mão. Ser rodeada pelas paisagens fascinantes, pelas batalhas entusiasmantes, pelas dores, pelos sentimentos. Não estar numa sala de cinema, mas estar num mundo que não é este. Esquecer o mastigar das pipocas, os "chuack, chuack" dos namorados, as conversinhas entre-linhas.
É fodido quando nos enganamos a enviar um SMS. Vamos à agenda, carregamos no nome errado, e mandar mensagens escritas por telemóvel é um processo tão automático para nós que nem há tempo para corrigir o engano.
“Mensagem enviada”.
Aparece o relatório e dás-te conta que foi para outra pessoa. Para a pessoa de quem gostas, acabaste de mandar uma mensagem que afirma a tua necessidade de liberdade, que não era para ela...
Re-envias a mensagem para o destinatário correcto, para aquele teu amigo que não te "larga", que insiste que te ama, que gosta de ti, estas conversas da treta que a ti não te dizem nada porque estás “vidrada” noutra pessoa.
Numa pessoa de quem gostas muito, que trabalha muito também (esta mania de trabalhar está a dar cabo do País..), que vês pouquíssimas vezes, que sentes ainda menos, que ouves por telefone, já te disse que tinhas jeito para locutor de rádio?
O que é que terás ficado a pensar com a mensagem? Não houve resposta, nunca gostaste de mensagens escritas, não era agora que ias mudar. Ela é o contrário, odeia falar ao telefone, prefere a palavra e a conversa ao vivo.
In vivo.
Dás cortes às pessoas. Cortas a amizade aos pedaços porque não há lugar para mais. E é assim tão difícil entender que não há suplentes quando se gosta, não há substitutos. Não há nada. Tenho alguém aqui dentro e não me agarro a ninguém. Fodasse.